• Aldomar de Castro

Verde e Amarelo

Em conferência realizada na Liga de Defesa Nacional, a 18 de setembro de 1930, o Dr. Francisco Pereira Lessa sustente que a simbologia exata das cores verde a amarela se acha presa à heráldica, pois D. Pedro pensou dotar o Brasil com a cor verde, cor de sua Casa Real de Bragança; e o amarelo, a cor da Casa de Habsburgo – Lorena de Áustria, de onde provinha sua primeira esposa, a Arquiduquesa Dona Leopoldina. Diz o conferencista que o “ Barão de Marechal, secretário da legislação austríaca e que aqui ficara, como agente diplomático, em seu ofício a Metternich, de 27 de setembro de 1822, dando ciência dos graves acontecimentos que se sucederam no Brasil,fala também que o Príncipe trazia um laço verde sob um ângulo de metal dourado, no qual estava gravado INDEPENDÊNCIA OU MORTE! Ainda mais, no dia 15,aniversário da Revolução de Lisboa , não foi esta celebrada, e a tropa, os funcionários públicos e o povo arrancaram, abruptamente, o laço das Cortes, trazido ao braço esquerdo, substituindo-s, então, pelo verde, couleur de La Maison de Bragance” Quanto a escolha de cor amarela, diz Pereira Lessa: Depois, porém, da publicação do Arquivo Diplomático da independência, valioso subsidio fornecido pelo Ministérios das Relações Exteriores ainda mais nos convencemos de que a cor amarela fora escolhida por d. Pedro, pela exposição feita por Antonio Teles da silva Caminha e Meneses, depois Marquês de Resende, e nosso agente diplomático em Viena, em seu oficio de 29 de setembro de 1823, a José Bonifácio da Andrade e Silva, relatando como descrevera a Bandeira Imperial a Metternich, o que significava as estrelas no escudo imperial – as suas províncias – e os demais componentes da Bandeira, expondo igualmente o motivo e significação das cores verde e amarela; a cor verde, por ser esta a da Casa de Bragança; e a amarela, a da Casa de Lorena, de que usa a Família Imperial da Áustria.”D. Pedro tinha a intenção de proclamar-se rei do Brasil, e isso é patente no timbre que deu às armas Nacionais, em 18 de setembro de 1822. Nessa data, foi baixado o decreto que criou as Armas e a Bandeira do Brasil, não somente com o verde, e, sim, com verde e o amarelo.

NOTA:

A casa de Bragança procedia de D. João I, mas de D. João I antes de rei e simples mestre da Ordem de Avis ( A Herculano – Opúculos, III, p.167). Esta casa reinou em Portugal desde 1640 até 1910. O primeiro Duque de Bragança foi D. Afonso, 3o. Conde de Barcelos, filho de D. João I, e que desposou, em 1401, D. Beatriz, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira. Desde logo, a Casa de Bragança foi rica e poderosa, e, quando entrou na posse dos imensos haveres do condestável, passou a ser mais opulenta casa fidalga de Portugal.Na carta de D. João VI, de 27 de outubro de 1645, elevando o Brasil à categoria de Principado, o título de Duque de Bragança passou a pertencer aos filhos primogênitos dos reis de Portugal, e isto foi observado até a queda da Monarquia, em 1910. A cor verde lembra, ainda, uma tradição remotíssima de nossos antecedentes políticos, pois, além de ser a cor característica da Casa de Bragança, desde a sua fundação, era, também, o matiz do estandarte da destemida e famosa Ala dos Namorados, que constituía a vanguarda do exército lusitano, na Batalha de Aljubarrota. A cor verde recorda ,também, o dragão verde que figurava na bandeira dos lusitanos, anteriormente o pavilhão instituído em 1097. Segundo as velhas crônicas, os antigos lusitanos arvoravam uma bandeira quadrangular, branca, no meio da qual se via um dragão verde, cujo símbolo permanece, até nossos dias, na bandeira dos dragões da Independência.Recorda o protomártir de independência,Tiradentes, denunciando no mesmo ano em que Paris inaugurava a regeneração humana. ( Os sitiantes da Bastilha tiveram por emblema folhas verdes, arrancadas às árvores do Palais Royal).Lembra a nossa natureza viridente, a nossa primavera constante, a nossa riqueza agrícola.“Caracteriza a Esperança, ao mesmo tempo que indica a Paz, duplo título para simbolizar a atividade pacífica”. A cor amarela além de ser a cor característica da Casa de Lorena, lembra, também, “a fase da mineração do ouro, nos tempos coloniais, que tanto incrementou o povoamento do Brasil e, assim, determinou a sua prosperidade”, bem como a nossa riqueza mineral, as nossos regiões auríferas.

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