• Aldomar de Castro

Pesos e Medidas

Aqui no Rio Grande do Sul, no mês de setembro, todo mundo vira gaúcho, ou todo mundo fica gaúcho. É exatamente isso. Nós viramos ou ficamos gaúcho sem conhecermos o mínimo necessário, da cultura que pretendemos participar. É muito fácil, como bom brasileiro e, especialmente, bom gaúcho, vestirmos uma bombacha, atarmos um lenço no pescoço, calçarmos umas botas, colocarmos um chapéu na cabeça, tomarmos um trago, falarmos errado e nos sentirmos gaúcho. Isto a grande maioria imagina ser e, alguns assim procedem.Nosso Estado tem o privilégio de oferecer aos seus filhos uma filosofia de vida que valoriza em primeiro lugar o que é nosso. O que é gerado aqui. Depois de esgotar a nossa capacidade de produção, aí sim, vamos buscar o complemento onde quer que ele esteja. Isso, em poucas palavras, é o perfil do tradicionalismo no sentido prático, no cotidiano. Com esse amor a querência é que Apolinário Porto Alegre, liderou um grupo de jovens intelectuais e criou o Partenon Literário em 18 de julho de 1868. Com o mesmo entusiasmo e espírito de Rio-Grandense nato, o Santa-mariense, João Cezimbra Jacques, no dia 22 de maio de 1898 institui o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, ativo até hoje.Com a fundação deste, inicia-se o ciclo dos grêmios, a União Gaúcha de Pelotas, em 10 de setembro de 18999; o Centro Gaúcho de Bagé, em 20 de setembro de 1899, o Grêmio Gaúcho de Santa Maria, em 12 de outubro de 1901, o Grêmio Gaúcho de Livramento, fundado em 1904; a Sociedade Lombagrandense fundada em 31 de janeiro de 1938. Logo em seguida, nasce a 19 de outurbo de 1943, o Clube Farroupilha de Ijuí, apenas cinco anos mais tarde, um grupo de jovens estudantes do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, componentes do Departamento Tradicionalista do Grêmio Estudantil do citado estabelecimento de ensino, após muitas reuniões e debates, fundam no prédio número 707 da Rua Duque de Caxias em Porto Alegre o “35” C T G que teve como titular da primeira Patronagem Glaucus Saraiva da Fonseca. Houveram outras instituições fundadas em localidades diversas do Rio Grande do Sul desde a instalação do Grêmio Gaúcho de Porto Alegre até o evento do “35”C T G, porém, ainda não possuímos todos os dados para uma perfeita informação.Tudo isso ocorreu em aproximadamente 133 anos. Para uma cultura é pouco, para uma avaliação, acredito ser tempo suficiente para num momento de reflexão cotejarmos o esforço dos nossos ancestrais, o heroísmo dos Farrapos e o procedimento atual do gaúcho. Vamos começar indagando sobre os nossos símbolos. Pois povo sem tradição é povo sem pátria; e povo sem pátria não é povo. Claro que você sabe, mas responda aos que ainda não aprenderam: Quem é o autor da poesia, da música e do arranjo para piano do Hino da República de Piratini? Se você responder que a poesia é de Francisco Pinto da Fontoura, a música do maestro Joaquim José de Mendanha com arranjo e adaptação para piano de Antônio Tavares Corte Real, você respondeu errado. Este, é o Hino da República Rio-Grandense, que teve como capital a cidade de Piratini. República de Piratini nunca existiu. E que tal um questionamento sobre a simbologia e as cores da bandeira do nosso Estado? Isso é o mínimo que um turista deve saber sobra a terra que visita e nós que moramos aqui, temos conhecimento suficiente para satisfazer o questionamento? Tenho confiança que você responderá que sim; caso contrário, não estamos valorizando o que é nosso e nem o esforço dos nossos ancestrais, que tanto lutaram para nos entregar esta beleza de Querência.

MINGUATE DE AGOSTO DE 2008

CALTARS – “TO”

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