• Aldomar de Castro

Guaiaca

Guaiaca, termo que aculturou ao linguajar regional. Tem origem etimológica no quíchua “huayaca”, que significa saco. Pelo espanhol platense “guayaca”. Esse termo, juntamente com o objeto, conviveu nestes pagos, tendo sido aceito pelos camponeses, por atender as necessidades do homem rural. Aqui permaneceu ate os dias atuais, com o nome de guaiaca. Peça adotada pelos gaúchos por sua praticidade no transporte de moedas, relógio, cédulas “as pelegas”, e armas. Nosso dicionarista Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, define o termo como: ” cinto largo de couro ou de camurça, provido de bolsinhos, usado para se guardar dinheiro e objetos miúdos, e também para o porte de armas”. Observa-se, que os comerciantes desse tipo de mercadoria, colocam a disposição dos usuários objetos que nada têm a ver com o nome. São outros artigos, outras mercadorias que, na maioria das vezes, nem o usuário, nem o comerciante sabem do que se trata. Qualquer coisa que seja de couro que se enrole na cintura é guaiaca. Então, saímos por ai ridiculamente, querendo ser o que não somos e acabamos sendo o que não queremos. Portanto, o que não faz parte da nossa indumentária tradicional autêntica, não deve ser usado e, se usarmos pode passar a servir de graça para os que realmente conhecem e identificam nossa autenticidade tradicional. Mesmo para os que não a usam mas reúnem conhecimento suficiente e observam o desalinho que a pessoa se apresenta. A nossa guaiaca, é constituída de uma tira de couro larga, forrada ou não, iniciando da presilha da fivela para a esquerda de quem a usa um bolsinho com uma abertura na parte superior para cruzar o corrente do relógio, logo após outro bolsinho semelhante, porém este sem abertura na aba que fecha com botão de pressão. Continuando, agora atingindo a parte posterior da cintura do usuário uma bolsa maior com, aproximadamente o tamanho das duas anteriores, com três botões de pressão na aba que a fecha. Esta balsa, normalmente, é para o uso “das pelegas”, (cédulas – dinheiro de papel). Do lado direito o coldre, ou simplesmente uma correia com uma fivela para prende-la. Quando o usuário desejar, portar o coldre, o faz através dessa fivela, termina em lingüeta da largura da fivela, geralmente com duas carreiras de ilhós. È usada em atividades sociais ou serviço, com ou sem faixa. È óbvio que, as peças de serviço são mais rústicas e as usadas em atividades sociais, com maiores refinos em seu acabamento e é aconselhável usa-la sem o coldre.

MINGUANTE DE MARÇO DE 2004.

CALTARS – “TO”

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