• Aldomar de Castro

Folclore

Encontro Regional é uma atividade que se realiza, no âmbito da área geográfica da Região Tradicionalista, que acontece bimestral ou trimestralmente,(Art. 229 do Regulamento Geral do MTG/RS). Depende das atividades desenvolvidas pelas instituições. Normalmente, realiza-se em locais predeterminados. Nessas reuniões encontram-se patrões, patroas, capatazes, peões prendas, tradicionalistas, autoridades executivas, legislativas, educacionais, militares, eclesiásticas, judiciárias, familiares dos tradicionalistas, simpatizantes da cultura gaúcha, enfim, representantes de todas as forças vivam de uma comunidade e, como não poderia ser diferente, os representantes dos órgão de comunicação em busca de informações sobre a nossa cultura. Pois foi exatamente numa dessas reuniões que conversando com o João Batista, na época um dos diretores do Jornal ” O Chasque” , que surgiu a idéia de informarmos sobre: tradição, tradicionalismo, tradicionalista, nativismo, nativista, folclore e folclorista. São atividades semelhantes? São iguais? Ou apresentam alguma diferença? Claro que não podemos tratar de toda matéria num único artigo. Desta forma, vamos conhecer primeiro a ciência, o Folclore, depois o tradicional, e numa seqüência lógica, atingiremos, o regional e o nativo . Quanto ao termo Folclore temos a informação de que tudo começou quando, no dia 22 de agosto de 1846, ” The Atheneum”, um dos jornais de Londres, publicava a carta de William John Thoms, propondo que tudo quanto na Inglaterra, chamavam-se de antigüidades populares, literatura popular, ” embora seja mais precisamente um saber popular do que uma literatura, e pudesse ser, com mais profundidade, designado como uma boa palavra anglo-saxônica, FOLK-LORE saber tradicional do povo”. Definia nominalmente estudos que vinham sendo realizados desde tempos imortais, porém só no final do século XVIII é que concretizaram-se numa posição definida e aceita pela comunidade internacional. Referia-se Thoms aos estudos dos “usos, costumes, cerimônias, crenças, romances, refrãos, superstições, lendas, modos de sentir e de agir de um povo”. Não só filósofos como: Vico, Voltaire e Rousseau, tinham chamado a atenção para o sentido fundamental da criação popular, como ainda a coletânea dos escritores alemães, Wilhelm e Jacob Grimm, de contos e estórias para rastrear sua origem. Tudo isso fez com que o termo FOLK-LORE contribuísse com a definição sistematizada dos estudos de sabedoria popular. O termo FOLK-LORE, não teve, imediatamente uma aceitação expontânea de todos os países. Gradativamente, foi ocorrendo uma assimilação até solidificar sua plena aceitabilidade, pois a França falava em OUI-DIRE, outros em DOMOLOGIA; os alemães manifestavam-se com WOLKKUNDE e outras semelhantes, inclusive o FOLCKLORE. Mas afinal o termo foi aceito universalmente com as devidas adaptações de cada língua. A palavra folk com sentido de povo, utilizado em expressões quais – cultura folk, folkwais, folcmúsica, homem folk etc. e lore com o sentido de sabedoria, dizendo-se o lore dos caçadores, o lore dos guaranis. Em inglês hoje a palavra é escrita sem o hífen FOLKLORE e, em português FOLCLORE por ter desaparecido do alfabeto brasileiro a letra “k”. Conceitua-se o Folclore como sendo ” A ciência que estuda todas as manifestações espontâneas do povo gráfico (aqueles que já possuem escrita), tanto do ponto de vista material quanto espiritual. Como o próprio nome sintetiza, é a ciência do povo, são as tradições, os costumes, as crenças, enfim, tudo o que nasce do povo e foi transmitido através das gerações, sem um ensinamento regular. É exatamente aquilo que foi transmitido de geração para geração e teve aceitabilidade. Hans Naumann, diz: “que o folclore é de origem erudita, vindo circular entre o povo que aceita, adapta e faz coisa sua”. O professor Luiz da Câmara Cascudo conceitua folclore dizendo que ” é a cultura popular, tornada normativa pela tradição”, compreende técnicas e processos utilitários que se valorizam numa aplicação emocional, alem do ângulo de funcionamento racional. A mentalidade, móbil e plástica torna tradicional os dados recentes, integrando-os na mecânica assimiladora do fato coletivo, como a imóvel enseada dá a ilusão de permanência estática, embora renovada na dinâmica das águas vivas. Consequentemente, o folclore é o que foi, o que é e, o que será ou que virá a ser, sem perder as características de: aceitação coletiva, funcionalidade, espontaneidade, intemporalidade, tradicionalidade e anonimato, sendo as duas últimas descaracterizadas quando o povo toma a autoria para sí como é o caso da composição “Negrinho do Pastoreio”. O senhor H. Castelo Branco, Presidente do República, em data de 17 de Agosto do ano de 1965, assina o Decreto nº56.747, instituindo no Brasil o dia 22 de agosto o dia do Folclore. DECRETO Nº. 56.747 DE 17 DE AGOSTO DE 1965 que Institui o DIA DO FOLCLORE. O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 87 – inciso I, da Constituição e: Considerando importância crescente dos estudos e das pesquisas do Folclore, em seus aspectos antropológicos, social e artístico, inclusive como fator legítimo para o maior conhecimento e mais ampla divulgação da cultura popular brasileira; Considerando que a data de 22 de agosto, recordando o lançamento pela primeira vez, em 1846, da palavra Folk-Lore, é consagrada a celebrar este evento; Considerando que o Governo deseja assegurar a mais ampla proteção às manifestações da criação popular não só estimulando sua investigação e estudo, como ainda defendendo a sobrevivência dos seus folguedos e artes, como elo valioso da continuidade tradicional brasileiro, decreta: Art. 1º. – Será celebrado, anualmente, a 22 de agosto, em todo território nacional, o Dia do Folclore. Art. 2º – A Campanha da Defesa do Folclore Brasileiro do Ministério de Educação e Cultura e a Comissão Nacional de Folclore do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura e respectivamente entidades estaduais deverão comemorar o Dia do Folclore e associarem-se a promoções de iniciativa oficial ou privada, estimulando ainda, nos estabelecimentos de curso primário, médio e superior, as celebrações que realcem a importância do folclore na formação cultural do país. Art. 3º – Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 17 de agosto de 1965; 144º da Independência e 77º da República. H. CASTELO BRANCO Flávio Suplecy de Lacerda. Folclorista é a pessoa que estudas as diversos aspectos do folclore, contextuando o conjunto das tradições, lendas, canções, crendices, superstições, música popular, lúdica adulta e infantil, usos e costumes na agricultura, pecuária, astronomia, metereologia, alimentação, caça, pesca, habitação medicina caseira, benzeduras, cerimônias e rituais.

MINGUANTE DE JANEIRO DE 2002.

CALTARS “TO”

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