• Aldomar de Castro

Festivais

F E S T I V A I S

No ano de 1971 surge no Centro de Tradições Gaúchas “Sinuelo do Pago” em Uruguaiana o primeiro festival musical no rio Grande do Sul, com o título de Califórnia da Canção Nativa. Este festival foi idealizado por Colmar Duarte e teve como primeiro presidente Henrique de Freitas Lima. A intenção desta iniciativa era valorizar os compositores e musicistas que orientassem sua arte sobre temas e valores regionais para que através desta atividade houvesse a solidificação dos componentes que integram o processo. A Califórnia não conseguiu manter uma linha musical, buscou na diversificação a sua própria sobrevivência, porém continua realizando uma edição por ano. A realização da primeira Califórnia ecoou pêlos mais recônditos rincões da querência levando a idéia e a mensagem multiplicadora de eventos nativistas. Em pouco tempo surgiram no Rio Grande do Sul, mais de cem festivais, de todo porte, de diversas linhas musicais e realizados de acordo com a conveniência de seus instituidores. Aconteceu o óbvio. Em pouco tempo, pelo fato dos festivais serem promovidos ou dependerem de subsídios de instituições públicas, foram eivados de vícios e de inversão de valores. A finalidade principal passou a ser promoção pessoal do organizador ou do grupo promotor do evento, ficando para segundo plano: a qualificação musical, a fidelidade ao tema proposto e a ética para com os atávicos alicerces da nossa cultura. Analisando este tétrico panorama, passaram, os organizadores a forçar uma profissionalização dos chamados “jurados” que normalmente são os mesmo que realizam as triagens, e que normalmente são os mesmos em todos os festivais, e ainda, que normalmente são compositores ou interpretes que varrem o Pampa em busca de atividades, nem sempre as mais recomendáveis, pela maneira que dirigem e apresentam os resultados. Dessa maneira houve uma padronização musical com forte tendência urbana dentro de um insuportável índice de mau gosto, incícias e desrespeito a cultura de um povo. Como se isto não bastasse, a maioria dos organizadores e promotores dos ditos eventos ferem letalmente a Carta de Princípios do MTG/RS, porque não atendem o menor índice dos requisitos exigidos para serem considerados desta Querência. Compositores apresentado ritmos canhestros e misturados, sem definição, tentando acomodar a composição chamada “inédita” numa melodia já existente e executada com instrumentos inadequados e indumentária perfeitamente alheia a pesquisada e sugerida pelo IGTF e, referendada pela Lei nº 8213. As poesias ou letras que iniciaram referendando feitos e fatos querencianos, deram lugar a composições ou termos ambíguos, inclinando-se tendenciosamente para uma pornografia desenfreada, sem o mínimo respeito por algumas pessoas, que ainda acreditam na melhora dessa atividade.Vamos analisar os primeiros eventos que ocorreram no interior do nosso Estado. As gravadoras estavam presente, realizavam registros fonográficos de excelente qualidade, as lojas de discos comercializavam com tranqüilidade e havia procura. Sabemos que atualmente, as comissões organizadoras de festivais encontram dificuldades para gravar matéria paga, e quando gravam enfrentam dificuldade para comercializar o produto, exatamente por não registrar o que a comunidade quer. Os gaúchos e os Rio-Grandenses querem a sua música, as suas canções executadas por interpretes autênticos. Precisamos de um festival que não atenda interesses pessoais e, nem políticos e que tenha uma mensagem cultural sadia, com temas e melodias desta terra. Que conte com um corpo de jurados crioulo, do local do evento e que o próprio público escolha as composições de sua preferência. Há necessidade que os participantes cumpram com os regulamentos e que os responsáveis pelas seleções das músicas valorizem mais a arte, a ética, ritmos e melodias. Teríamos assim, um espetáculo capaz de representar com dignidade a cultura do povo que cultua a mais bela tradição do Brasil. Caso isto não seja possível, é preferível não realizar o festival, porque fazer mal é muito, muito pior que não fazer.

MINGUANTE DE AGOSTO DE 2008

CALTARS – “TO”

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