• Aldomar de Castro

Cargarilhadas

No Rio Grande do Sul, o mês de setembro é privilegiado com as maiores cangarilhadas que se possa imaginar, acontece, até mesmo o inimaginável. E tudo fica por conta das comemorações da “Semana Farroupilha” e das homenagens aos heróis Farrapos. E nestas homenagens é que se observa e registra-se o despreparo de alguns governantes, a bem da verdade, quase todos, porém, os que sabem que são despreparados buscam assessoramento para elaborar tarefas que envolvam atividades comemorativas e culturais. De forma semelhante procedem, os que gostariam de ser gaúchos, mas com pouco apetite para uma leitura referente ao assunto, sem buscar informações sobre quem é o que “ele” gostaria de ser e sem conhecimento. Desinformado, passa o “vivente” a praticar um excelente desserviço a Cultura terrunha desta Querência. Os nossos hábitos e costumes são simples, exatamente como nós somos. Mas, para quem não os conhece e não busca informações sobre os mesmos, passa a praticar verdadeiras barbaridades, como por exemplo: usar peças da indumentária campeira em atividades sociais; usar peças da indumentária do folclore histórico ou morto em acontecimentos contemporâneos; desvirtuar a função da faca, do pala, do chapéu, das esporas, do chiripá e de tantas outras. Assim é o nosso setembro. Pior do que isso também acontece em setembro. Difícil acreditar? Então vamos analisar alguns aspectos do programa oficial de festividades setembrinas: Tal dia, a tal hora, em tal lugar – SHOW GAUDÉRIO. Presume-se que nessa localidade a língua oficial seja o Português, pois é um município localizado dentro do Território Nacional. Segundo nosso mestre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “GAUDÉRIO” é aquele que acompanha qualquer pessoa, abandonando-a logo para seguir outra. Zeno e Rui Cardoso Nunes, em Dicionário de Regionalismo do Rio Grande do Sul, afirmam que “GAUDÉRIO” – é pessoa que não tem ocupação séria e vive as custas dos outros, andando de casa em casa, parasita, amigo de viver às custas alheia. Romaguera Corrêa diz: Vocabulário Sul-Rio-Grandense – GAUDÉRIO: gandulo, parasita, errante, sem dono, que vive nas casas alheias. Será que é mesmo “show gaudério”? Imaginem vocês um espetáculo que começa num lugar e vai andando sem rumo, sem destino até encontrar outro público para segui-lo. Se não for impraticável, pelo menos é muito engraçado, especialmente por ser programação oficial. CULTO FARROUPILLHA: Maragatos e Chimangos. O Partido Farroupilha foi instalado no Rio Grande do Sul por Luiz dos Reis Apolin em 07 de abril de 1832. A Revolução Farroupilha teve início na noite de 19 de setembro do ano de 1835, com o Combate da Ponte da Azenha. Terminou com a assinatura da Paz de Ponche Verde em 28 de fevereiro de 1845 e em 01 de março do mesmo ano Caxias declara pacífica a Província. A Revolução Federalista nasceu do ressentimento do grupo Gasparista (Gaspar da Silveira Martins – Federalista) apeado do poder em 1889, a quem Castilhos (Júlio Prates de Castilhos – Republicano) negou qualquer possibilidade de composição ou transação política, assim como a outras facções lideradas por Silva Tavares, Barros Cassal e Demétrio Ribeiro, as quais pelo envolver dos acontecimentos foram se incompatibilizando com os republicanos ortodoxos. com o ataque a D. Pedrito em 20 de fevereiro de 1893, estabelece-se o início da revolução que durou até 23 de outubro de 1895. Neste episódio é que surgem os Gasparistas, denominados Maragatos e os Castilhistas denominados pica-paus e só mais tarde, Chimangos. As eleições de 1922 transcorreram num clima de tensão e violência. Borges de Medeiros (PRR), sucessor de Júlio de Castilhos, é apontado vencedor. Comprovada a fraude nas eleições, os Maragatos (PL), pegaram em armas no dia da posse de Borges de Medeiros, (23/01/1923) e só voltaram a normalidade com o Pacto de Pedras Altas, em 14 de dezembro de 1923. Neste episódio, seguido dos de 1924, 1925 e 1926 é que se concretiza o epiteto de “Chimangos” aos seguidores do Castilhismo e continuou com Borges de Medeiros. Desta forma observa-se que : Culto Farroupilha, nada tem a ver com Maragatos e Chimangos, pois 78 anos, os separam. Além do mais os objetivos Farroupilha apontavam para o Poder Central do Império. A Revolução Federalista, de 93 e a Assisista de 1923 foram conflitos locais, sem nenhuma conotação reivindicatória ou econômica.

CALTARS – “TO”

NOVA DE SETEMMBRO DE 2007.

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