• Aldomar de Castro

Bombachas

A indumentária do gaúcho rio-grandense, atualmente, regrada pela Lei número 8.813 de 10 de janeiro de l989 e mais adiante o Movimento Tradicionalista do Rio grande do Sul publica “Indumentária Gaúcha” com a intenção de informar os tradicionalista e usuários dessa vestimenta, pois, talvez, por falta de informações ocorrem verdadeiras cangarilhadas com a maioria dos nossos “tradicionalistas”. no que diz respeito ao vestir ou mais precisamente, pilchar–se. Segundo Antenor Nascente, a palavra bombacha é originária do espanhol “bombacho” calças largas abotoadas nos tornozelos, usadas na região da Andaluzia. Quanto ao vocábulo, ensina-nos José Pedro Machado (Apud Propicio da Silveira Machado) que “bombacho” deriva do espanhol “bombace” que proveio do latim medieval “bombax-acis, originado no clássico “bombix-ycis. Pesquisadores do assunto afirmam que a bombacha segue o corte etnográfico das bragas, porém, com pernas mais longas e amplas com o punho na altura dos tornozelos. Temos informações de que os mandarins chineses, russos da estepe, tártaros, turcos, árabes, berberes e diversos povos asiáticos e africanos usaram bombachas. Mais tarde os maragatos espanhóis adotaram a referida peça e no século XIX nossos gaúchos passaram a usa-la, substituindo o chiripá farroupilha.

Luiz Celso Hyarup, sobre a indumentária gaúcha diz o seguinte: “ Na verdade, até o presente, nenhuma pesquisa pode balizar, com exatidão científica, a época da introdução da bombacha nas três pátrias do gaúcho. Existem algumas conjunturas, divergentes entres os estudiosos, mas nada definida. Uma delas proporõem origem mourisca ou berbere, trazida pelos maragatos da Espanha, estabelecida ás proximidades de Montevidéu, no inicio do século XIX. Outra apresenta a tese de que a bombacha é cópia ou sobra de guerra dos uniformes usados pelas forças coloniais inglesas e francesas no conflito da Criméia e, posteriormente, introduzida pelo comércio britânico no extremo meridional da América do Sul. Ainda outros vêem os procedentes da Ilha da Madeira como introdutores da referida peça da indumentária gauchesca”. – “… Sabido que a bombacha árabe foi levada da África para a Espanha pelos berbericos e pelos descendentes destes, trazida para o Sul da América”. Comungam desta opinião: Felix Contreiras Rodrigues, Propício da Silveira Machado Silvio Júlio de Albuquerque Lima, Manoelito de Ornellas e João Cezimbra Jacques. De uma forma ou de outra, lá pelos idos de 1860, mais ou menos, a bombacha passou a substituir o chiripá e afeiçoou-se as necessidades do gaúcho e foi aclimatando-se ás regiões de forma que em alguns lugares apresenta-se mais largas, com favos de mel e noutros mais estreitas ou sem favos. Na fronteira são mais largas, na serra mais estritas e no planalto nem largas e nem estritas. Primeiramente a bombacha era usada pelo pobrerio mais tarde, a Revolução de 1893 registra caudilhos usando bombachas., o que indica o elevado índice de aceitabilidade dessa peça pelos gaúchos. O tecido para confeccionar a bombacha, também sofreu algumas modificações, de acordo com a evolução da industria têxtil, porem, tradicionalmente permanece um certo ritual sobre as cores e com deve ser usada em certas ocasiões. Quanto aos botões que enfeitam lateralmente as bombachas, é pura invenção moderna, o gaúcho nunca enfeitou bombachas com botões, ou escrevendo o nome do usuário em favo-de-mel, lateralmente. Isto é ridículo e identifica o desconhecimento do usuário sobre a sua cultura. As bombachas que estão surgindo com mais algumas pregas não devem ter o favo-de-mel e as que possuem este adorno não devem possuir pregas. Quanto ao uso da bombacha em ambiente social é por dentro das botas, com camisa de mangas longas e de uma só cor. As bombachas por fora da bota ou arremangadas, só quando estivermos de alpargatas ou chinelos em ambiente descompromissado com o social, isto é em ambiente residencial.

MINGUANTE DE NOVEMBRO DE 2005

CALTARS – “TO”.

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