• Aldomar de Castro

Poncho

P O N C H O

ESTE MEU PONCHO GAUDÉRIO,

DE PURA LÃ ENTRE O MEIO.

PARCEIRO PARA TEMPO FEIO,

E PARA REPONTES DE TROPA.

NEM O MINUANO “LHE” ENSOPA,

POR SER O MELHOR ABRIGO.

PODE SER NOVO OU ANTIGO,

NALGUMA CRUZADA INCERTA,

POIS JÁ SERVIU DE COBERTA,

O QUE CARREGO COMIGO.

PONCHO PÁTRIA É IDENTIDADE,

DE QUEM TROPEIA DE A CAVALO.

SEMPRE OUVE O CANTAR DO GALO,

ENFRENTANDO O RIGOR DA LIDA.

É UM “BAITA” EXEMPLO DE VIDA,

PARA AS GERAÇÕES DO FUTURO.

NO LABOR OU ALGUM APURO,

SEMPRE CUMPRIU SEU PAPEL.

SINTO ALVOROÇAR-SE AO TROPEL,

E FICA MAIS TENSO NO ESCURO.

COM O MEU PONCHO POR PERTO,

ME SINTO UM TAURA MONARCA,

POIS TRAGO COMIGO ESTA MARCA,

DE HOSPITALEIRO E TERRUNHO,

É UM BRADO CERRANDO O PUNHO,

PRA QUEM GUARDEIA O QUE É SEU.

ME ORGULHO AO OLHAR O MEU,

SOVADO PELO VENTO E SUOR.

SÓ ELE E DEUS NOSSO SENHOR,

QUE GUARDAM RESPEITO MEU.

COM O PONCHO NA GARUPA,

VOU GASTANDO HORIZONTES.

ENTRE MANGUEIOS E REPONTES,

FINDA O DIA E A NOITE VEM.

COM SUAS ASTÚCIAS TAMBÉM,

ENCURTA A VISÃO DO TROPEIRO.

CHEGA ANTES QUEM SAI PRIMEIRO,

E TEM O NECESSÁRIO PRA O OFÍCIO.

SUPERA QUALQUER SACRIFICIO

QUEM, TEM PONCHO POR PARCEIRO.

ABRIGO DE TAURA PAMPEANO,

SURRADO DO TEMPO E PENDENGA.

ALGUNS RISCOS DE CHERENGA,

MARCADOS NOS ENTREVEROS.

MANTEVE-SE ENTRE PARCEIROS,

SERVINDO DE AMULETO E ESCUDO.

MEU PONCHO ACOMPANHOU TUDO,

ATÉ EM ESCARAMUÇAS DE BALA,

A SORTE É QUE ELE NÃO FALA,

SABE MAS SE MANTÉM MUDO.

A EVOLUÇÃO E O PROGRESSO,

MUDARAM HÁBITOS E COSTUMES.

O TEMPO DIVIDIU OS TAPUMES,

DO PAMPA GAÚCHO E XUCRO.

HOJE A ORDEM É VISAR LUCRO,

E COBRIR LONGAS DISTÂNCIAS.

NÃO SE MEDE CIRCUNSTÂNCIAS,

SE OS ATOS SÃO BONS P’RA O POVO.

RAIZ, VALE MENOS QUE O RETOVO,

MUDAM VALORES E IMPORTÃNCIAS.

OS TRAJES SOFRERAM AJUSTE DO TEMPO,

E O PONCHO FOI PARA O BAU DA HISTÓIRA.

AO OLHA-LO REVEJO EM MINMHA MEMÓRIA,

ANDANÇAS : O ONTEM, O HOJE E O AMANHÃ.

A TRADIÇÃO ENTREGA PORQUE FOI GUARDIÃ,

DO COSTUME GUAXO COM FIEL COMPETÊNCIA.

TRASTE PERPETUANDO PELA EXISTÊNCIA,

DO AMOR SAGRADO DESTE MEU LIRISMO.

CONSERVO COM GARBO ESTE TELURISMO,

QUE NASCEU E VIVE NA MINHA QUERÊNCIA..

MINGUANTE DE AGOSTO DE 2000

CALTARS – “TO”.

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