• Aldomar de Castro

Baile de Cola Atada

BAILE DE COLA ATADA

No tempo de antanho existiu,

o baile de cola atada.

De literatura quase nada,

e o procedimento sumiu.

Por ser insocial sucumbiu,

com outros procedimentos.

A História tem argumentos,

sem divulgar a façanha.

Que fala nele se acanha,

do chulo comportamento.

Nos bailes de cola atada,

gente “direita” não dançava.

Nem esse local freqüentava,

por ser lugar de chinfrinada.

Terminavam em chavascadas,

quando não em coisa pior.

Sem moradias ao redor,

por ser a choldra incivil.

Todos demonstram ardil,

em qualidade menor.

Com discrição de local,

e muita bebida alcoólica.

Em acasalação simbólica,

praticavam esse ritual.

Um procedimento usual ,

pelo baixo meretrício.

Sem praticar armistício,

desde o começo até o fim.

Com púrpura de carmesim,

quase chagava ser vício.

Entrava só quem pretendia,

se entreverar com a ralé.

Ambiente de algum cabaré,

freqüência de pouca valia.

A má iluminação confundia,

as mulheres despidas total.

Os homens quase igual,

só com a camisa amarrada.

Nas costas ás pontas atadas,

assim que dançava o casal.

Sem família e mulherengo,

foi a estampa do gaudério.

Vivia em constante adultério,

por ser errante andarengo.

Cavalgando um maturrengo,

garras pendentes ao arreio.

Proceder de escasso asseio,

e bailando de cola atada.

Assim completava a jornada,

vivendo as custas do alheio.

A socialização do gaudério,

extinguiu com o cola atada.

Não serviu pra gauchada,

por não ser assunto sério.

Desvendado o impropério,

a civilização não tolera.

O que será que se espera,

de que vive nesse ambiente.

Alcoolatra, imoral e indecente,

agregado a patologia severa.

existem algumas canções,

de compositor dicionarista.

Impremeditado nativista,

colecionador de frustrações.

mprando suas gravações,

produção independente.

tendereteando o vivente,

etende insuflar cultura.

mexendo sepulturas,

busca de termo bifronte.

Aquelas pendengas de antanho,

contadas pelos ancestrais.

Não são os fandangos atuais,

sadios e de bom tamanho.

Onde não dança estranho,

por ser restrito a famílias.

O som invade as coxilhas,

desta Querência bendita.

É dança de quem acredita

do vanerão a quadrilha,

Evolução é a realidade presente,

transmigrando hábitos sadios.

Aprimorando nossos brios,

formando cultura consciente.

Com este caráter insolente,

e o estigma do bem-me-quer.

Gaúcho valoriza a mulher,

por isso a chama de prenda.

Talvez alguém não entenda,

por ter uma origem qualquer.

Esta pujança taurina,

é xucra por excelência

Não vive de aparência,

quem trás a marca sulina

O horizonte que determina,

o encontro de cada coxilha.

Não meço distância por milha,

nem “tomo mate” em ramada.

Quem baila de cola atada,

é insipiente ou sem família.

MINGUANTE DE MAIO DE 2008.

CALTARS – “TO”

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