• Aldomar de Castro

Uso do Chiripá

Registra Edson Acri, em sua obra O GAÚCHO, página 142. “Nessa época. Acontece uma total combinação de peças e indumentárias do período anterior e da vestimenta que surge nesse período. Entre as peças de vestir de épocas passadas, encontramos, no homem peão: as botas de potro, (botas garrão de portro) cereulas de crivo, chiripá farroupilha de pala ou de saco de aniagem, a faixa de lã, jaleco, lenço no pescoço, chapéu de feltro, calção comprido de lã e, jaqueta”. Portanto, chiripá usado por peões nos idos de 1750. Escreve João Carlos D’avila Paixão Cortes, em sua obra O GAÚCHO, página 139 – Editora GARATUJA. cita ”Romaguera Correa, ao dicionarizar chiripá, o descreve como: vestimenta usada pelos peões de estância ou camponeses. Fernando O. Asunçao: “Pilchas Gúchas – Ussos y Costumbres Del Gaúcho – Editora Emecé. Página,145 “. . . posteriormente se suministraba a los índios, um gorro, uma camisa, unos calzones y um poncho, pero este estuvo muy lejos de eliminar el uso de aquella prenda tan simple y comoda, especialmente em lãs faenas de campo y em particular em aquellas largas jornadas a caballo de la region de la Vaqueria Del Mar, nuestro atual território. Pero hay mas: hasta el nombre a mi juicio es de este origem misionero-guarani. Em nuestra lengua el vocábulo chiripa, significa cosa de poça monta o valor, casual de menor importância. Resultará asi que para los Padres, los índios catequizados eram vestidos de chiripa. . .Vocabulário Sul-Rio-Grandense de Romanguera Correa, Antonio Coruja, Luiz Carlos Moraes e Roque Calage – Editora Globo, página 127. “s. m. baeta encarnada que os peões usam trazer ao redor da cintura. – s. m. vestimenta usada pelos peões de estância ou camponeses ou camponeses que consta de uma peça de fazenda quadrilátera. – s. m. vestimenta rústica usada pelos campeiros. . Dicionário de Regionalismo do Rio Grande do Sul. Rui e Zeno Cardoso Nunes. Martins Livreiro Editor. Página 115. “ s. Vestimenta rústica, sem costuras, usada antigamente pelos homens do campo. . Caderno “2” do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore – Antonio Augusto Fagundes, página 16. . . . . um gaúcho autêntico usando chiripá, no começo deste século (século passado), em poder do autor destas notas, mostra o homem com duas pequenas tranças laterais na comprida melena moura. . . E o chiripá tradicional era de merino, ou então feito de um pala. No mais discreto e másculo. Vera Stédile Zattera, Pilchas do Gaúcho – Vincula Universidade de Caxias do Sul, página 63. O peão que leva chiripá fralda, também leva ceroulas que por vezes estão por fora das botas. Odalgil Nogueira de Camargo – Falando em Tradição e Folclore – Gráfica & Editora Berthier, página 157. O peão não era de muito luxo. Usava xiripá primitivo que se compõe de um saiote da cintura até os joelhos. Maria Cândida Barboza – Aspectos de Folclore, Trdição e Cultura – Editora Pe. Berthier, página 54. – A indumentária do peão das vacarias compunha-se basicamente de chiripá-saia ou farroupilha . CITAÇÕES DE INDUMENTÁRIA GAÚCHA, especificamente sobre chiripá: Segundo Von Hagen, os idios do Peru usaram chiripá. Saint-Hilare (1832) registra o uso do chiripá pelo gaúchos. . Tito Saubider (1952) in “Vocabulário y Refranero Criollo”. . .roupa característica do gaúcho. . . . Edward Larocque Tinker explica como era usado o chiripá pelos Gaúchso Pampeanos. . . Conforme ilustrações de Luiz Celso Hyarup, os lanceiros negros da Revolução Farroupilha, usavam chiripá. . . Entendemos que todas estas citações, feitas por escritores, pesquisadores, folcloristas, estudiosos e tradicionalistas sempre referidas no gênero masculino e sempre acompanhado de botas-de-garrão, deixa claro que CHIRIPÁ é indumentária usada por homem, por peão dos idos de 1750 – 1850. Hoje o CHIRIPÁ, faz parte do Folclore Histórico ou Folclore Morto, como queira, é uma peça, e x c l u s i v a m e n t e, histórica e, assim sendo só é possível usar em projeção e/ou reinterpretação folclórica e com botas de garrão, as que existiam na época ao aporte econômico da classe social que usava chiripa. fora dessas duas situações, usar CHIRIPÁ, é atestado de ignorância desconhecimento total do que está fazendo. É fácil analisar. Você depara freqüentemente com pessoas usando chiripá no comércio, na igreja, no mercado, no futebol? Claro que não viu. Pois é peça que não tem mais aceitação, não tem praticidade, foi substituída por outra mais funcional, mais confortável, mais prática. Entendo que existem pessoas, ditas, a r t i s t a s que usam chiripá, dizendo-se ser o seu “tipo” e os tradicionalistas e grande partes dos patrões, por desconhecimento ou conveniência as contratam e, ninguém diz nada.

CHAIA DE DEZEMBRO 2008.

CALTARS – “TO”.

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