• Aldomar de Castro

Fogo Simbólico

O fogo é um dos quatro elementos que constituem o simbolismo dos povos. Fogo, ar, terra e água. O fogo aquece, é usado para cozer alimentos, ilumina e espiritualmente purifica. Quando mal usado pode causar destruição. Os cristãos vêem o fogo como símbolo de divindade. Para os egípcios o fogo é visto como elemento de superioridade e controle. Universalmente, é o símbolo da sabedoria. Quando Moises comandava suas tribos no Êxodo, durante a noite o caminho foi iluminado por uma coluna de fogo, a qual chamaram de “Tocha Ardente”. Os gregos e romanos conservavam nos altares dos seus templos sagrados, tocha de fogo e, quando partiam para a guerra conduziam, a frente dos combatentes, um archote do “fogo sagrado”, como símbolo de proteção e almejo de vitória. Na Grécia as residências localizadas distante dos templos onde o fogo era venerado, recebiam uma centelha, das mãos de atletas que realizavam a “corrida do Fogo Sagrado”. Podemos considerar uma atividade embrionária, da maratona do “Fogo Simbólico da Pátria”. Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac, o nosso Olavo Bilac, nascido no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865, foi jornalista, poeta, um dos criadores da Academia Brasileira de Letras, criou também, a Liga de Defesa Nacional, em 07 de setembro de 1916, com a finalidade de desenvolver o espírito cívico de todos os brasileiros e promover uma corrida por todo o território nacional com o Fogo Simbólico. Em 1938 A Liga de Defesa Nacional, secção do Rio Grande do Sul, através de um integrante chamado Túlio de Rose, concretizou o sonho do nosso poeta realizando a primeira corrida do “Fogo Simbólico da Pátria” de Viamão a Porto Alegre. No ano de 1939 a corrida do Fogo Simbólico partiu de Rio Pardo, percorrendo 244 quilômetros de revezamento entre atletas. O início da corrida, onde se ascende o Fogo Simbólico, hoje denominada maratona, não tem lugar certo, cada ano parte de um lugar que ofereça um motivo adequado a cultura desse procedimento cívico. Do Fogo Simbólico nasceu a Chama Crioula. Em 1947 a Liga de Defesa Nacional do Rio Grande do Sul, resolveu prestar uma homenagem aos Pracinhas que tombaram em defesa da Pátria, na Segunda Guerra Mundial, por isso o Fogo Simbólico foi aceso em Pistóia na Itália, onde se encontram sepultados nossos heróis. Da localidade de Pistoia até o Rio de Janeiro, o Fogo foi transportado pelo Coronel Aviador Rubens Canabarro Lucas e daí, para todo o Brasil, foi levado por atletas. Nesse mesmo ano, durante os festejos da Semana da Pátria, estava prevista a transladação dos restos mortais do Coronel Farroupilha David Canabarro, de Santana do Livramento para o Panteon em Porto Alegre. O Presidente da Liga, Major Darcy Vignoli, necessitava um piquete de cavalaria para a Guarda de Honra. Através do seu secretário Dr. Fortunato Pimentel que contatou com João Carlos D’Avila Paixão Cortes, Presidente do Departameto Tradicionalista do Grêmio Estudantil do Colégio Julio de Castilhos de Porto Alegre, conseguiu O piquete aceitou com a condição de que, no momento da extinção do Fogo Simbólico lhe fosse permitido retirar uma centelha. Tudo acertado, foi realizada a guarda e a centelha retirada sendo transportada para o Colégio Julio de Castilhos, local que permaneceu em ronda até o dia 20 de setembro, nascendo aí a Chama Crioula que deu início a festividades da Semana Farroupilha.

MINQUANTE DE AGOSTO DE 2006

CALTARS – “TO’

FOGO

Quando o homem primitivo descobriu o fogo, certamente deu o mais importante passo em sua história. Através dos tempos nós aprendemos a usar sua energia para inúmeros propósitos, usamos o fogo para trazer luz à escuridão, para cozinhar nossos alimentos, para aquecer nossas habitações e no passado para movimentar locomotivas. Reconhecido pelos antigos como um dos quatro elementos do mundo. O fogo é um princípio ativo, transmutador e transformador. As suas principais características vão desde a materialidade até a espiritualidade, que coloca o buscador ou o devoto mais próximo do Criador. No Livro Sagrado o fogo é sinal de presença e ação do Criador é expressão da Santidade e da transcendência Divina, por esse motivo uma chama é símbolo da letra Hebraica IOD que além de outros significados representa o Criador.

Os gregos e os romanos conservavam em seus altares uma chama de fogo. Quando partiam para a luta sempre levavam uma tocha do “Fogo Sagrado” dos templos do qual esperavam proteção e vitória. As casa gregas e romanas que se situavam longe dos templos onde o fogo era venerado, recebiam uma chama distribuída por atletas especialmente designado para essa atividade.

Conhecendo e dominando esse panorama, o carioca OLAVO BRAZ MARTINS DOS MAGALHÃES BILAC, autor do Hino à Bandeira, um dos criadores de Academia Brasileira de Letras, em 7 de setembro de 1916, fundada da Liga de Defesa Nacional para desenvolver o espírito cívico de todos os brasileiros e promover uma corrida com o Fogo Simbólico da Pátria em todo Território Nacional.

Em 1938 o Sr. TULIO ROSE, membro da Liga de Defesa Nacional, secção do Rio Grande do Sul, concretiza as aspirações do nosso Escritor e Poeta realizando a primeira Corrida do Fogo Simbólico no Brasil, de Viamão a Porto Alegre, no ano seguinte a chama foi acesa em Rio Pardo e daí por esta atividade foi adotada por todo O Território Nacional. Em 1947 gerou a primeira Chama Crioula do Rio Grande do Sul. O acendimento, do Fogo Simbólica da Pátria não tem local certo. A cada ano homenageia uma personalidade, esta edição dedica honras ao poeta alegretense MARIO MIRANDA QUINTANA, nascido aos 30 dias do mês de julho de 1906. Poeta das coisas simples. Despreocupado em relação às críticas, segundo suas próprias palavras “faz poesias porque sente necessidade”. Residiu por muitos anos no Hotel Magestic em Porto Alegre, atual Casa de Cultura da Capital Gaúcha que leva o seu Nome. Está sendo reeditada sua obra “Ora Bolas” em homenagem ao centenário de seu nascimento. Em 1928 trabalhou no Jornal Estado do Rio Grande, participou da Revolução de Trinta, fixou residência no Rio de Janeiro, em 1936 regressou ao Rio Grande do Sul e foi trabalhar na Livraria do Globo em Porto Alegre sob a direção de Érico Veríssimo, o que indiretamente aproxima consideravelmente, nossa cidade e nosso Érico Veríssimo, a distinção da Maratona do Fogo Simbólico da Pátria ao Alegretense Mário Quintana.

PARA ÉRICO VERÍSSIMO

O DIA ABRIU SEU PÁRA-SOL BORDADO

DE NUVENS E DE VERDE RAMARIA.

E ESTAVA ATÉ UM FUMO, QUE SUBIA.

MI-NU-CI-O-AS-MEN-TE DESENHADO.

DEPOIS SURGIU. NO CÉU AZUL ARQUEADO.

A LAU – A LUA! EM PLENO MEIO-DIA.

NA RUA, UM MENINO QUE SEGUIA

PAROU, FICOU A OLHÁ-LA ADMIRADO. . .

PUS MEUS SAPATOS NA JANELA ALTA.

SOBRE O REBORDO. . . CÉU É QUE LHES FALTAVA.

PRA SUPORTAR A EXISTÊNCIA RUDE!

E ELES SONHAM. IMÓVEIS.DESLUMBRADOS.

QUE SÃO DOIS VELOS BARCOS, ENCALÇHADOS

SOBRE A MARGEM TRANQÜILA DE UM AÇUDE. . .

A RUA DOS CONVENTOS

Mario Quintana

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