• Aldomar de Castro

Centro de Tradições Gaúchas

O Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, fundado em 22 de maio de 1898, pelo Santa- mariense Major do Exército Brasileiro, João Cezimbra Jaques, em quarenta anos proliferou pelo interior do Rio Grande do Sul. Em setembro de 1899 surge a União Gaúcha de Pelotas, na cidade do mesmo nome. Em 16 de setembro do mesmo ano, Bagé cria o Centro Gaúcho. Santa Maria, em 12 de outubro de 1901 instala o seu Grêmio Gaúcho. Aparentemente, houve uma parada até 31 de janeiro de 1938, quando surge em Lomba Grande, então município de São Leopoldo, hoje Novo Hamburgo, a Sociedade Gaúcha Lomba-grandense. Com as mesmas propostas, Laureano Medeiros funda em 19 de outubro de 1943, na cidade de Ijui, o Clube Farroupilha, hoje Centro de Tradições Gaúchas Clube Farroupilha. Observa-se que gradativamente foram surgindo instituições gaúchas que se preocupavam com o registro, o culto e a preservação dos hábitos e costumes do nosso Estado. Todas estas instituições centravam seus objetivos na valorização do homem rurígena, com seus conceitos morais, cívicos e sociais. O tempo passa e, com o surgimento a Segunda Guerra Mundial, as atenções convergem para o palco das operações armadas. Nossa juventude recebe um bombardeio de informações sobre super-heróis alienígenas, através do cinema e de revistas em quadrinhos. Em conseqüência o que é nosso vai ficando no esquecimento, ao ponto de não termos uma identidade estampada no procedimento espontâneo. Quem usava bombacha era taxado de “grosso”. A moda vinha dos grandes centros e dominava nossa comunidade. Os que tinham condições de estudar na Europa, quando regressavam, por uma questão natural, incluíam ao nosso vocabulário termos oriundos daquelas metrópoles. Nossa literatura recém iniciava sua trajetória. A música regional engatinhava balbuciando suas primeiras notas, ainda indefinidas pela influência dos veículos de comunicação que nos dispunibilizavam o regionalismo do sertão do Brasil Central, somadas á carência de compositores, músicos e instrumentistas gaúchos. Por sermos culturalmente incipientes passamos nessa época, a desenvolver o ilogismo de valorizar mais o que não nos pertencia, isto é, a moda, a língua e a música alienígena, ao invés de estudarmos e solidificarmos com fidelidade os traços que esboçavam o perfil dos nossos hábitos e costumes. Neste panorama a Liga de Defesa Nacional, por motivo da Semana da Pátria de 1947, resolve homenagear os combatentes brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial, acendendo o Fogo Simbólico, no cemitério de Pistóia, na Itália. A centelha do fogo foi transportada pelo coronel aviador Rubens Canabarro. Em 1947, o Colégio Júlio de Castilhos, de Porto Alegre contava com um Departamento de Tradição. João Carlos D´avila Paixão Cortes, representando esse Departamento, solicitou ao Major do Exército Darcy Vignoli, Presidente da Liga de Defesa Nacional, Secção do Rio Grande de Sul, para no momento da extinção do Fogo Simbólico, retirar uma centelha e levar para o Colégio Julio de Castilhos e, lá permanecer aceso o Candeeiro Crioulo até o dia 20 de setembro. Nasceu assim a Chama Crioula que deu origem a Semana Farroupilha e o “35 CTG” ( 35 Centro de Tradição Gaúchas) fundado pelos mesmos componentes do Piquete da Tradição em 24 de abril de 1948. O “35 CTG” instalou no interior do Estado, representantes da instituição para divulgar seus objetivos, a maioria deles, imediatamente, transformaram-se em Centros de Tradições Gaúchas pulverizando o Rio Grande e o Brasil de entidades tradicionalistas. O Piquete da Tradição, também conhecido como Grupo dos Oito, foi constituído por estudantes da capital e do interior do Estado. Passamos a nominá-los : Antonio João Sá de Siqueira, de Bagé, Cilço Araújo Campos, de Alegrete, Ciro Dias da Costa, natural de Pelotas, Cyro Dutra Ferreira, de Porto Alegre, Fernando Machado Viera, natural de Porto Alegre, João Carlos D´avila Paixão Cortes, nascido em Santana do Livramento, João Machado Vieira, natural de Porto Alegre e Orlando Jorge Degrazia, natural de Itaqui.

MINGUANTE DE JULHO DE 2004

CALTARS – “TO”

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