• Aldomar de Castro

Cante Nossos Temas no Autêntico Compasso Gaúcho

Por incrível que pareça, a grande maioria dos gaúchos do Rio Grande do sul, desconhecem as decisões tomadas pelos Órgãos Tradicionalistas. Quando conhecemos esta afirmativa, ficamos surpresos e, isto fez com que trouxéssemos até nossos leitores uma posição, aprovada no 44º Congresso Tradicionalista realizado no início deste ano na cidade de Passo Fundo. Esta Proposição refere-se a música gaúcha e diz o seguinte: “Sabedores de que a música acompanha o homem desde os primórdios, sendo ela uma forma de expressar seu estado de espírito, e por isso, ser dotada de relevada importância em todo local onde houve vida, não menos importante ela é dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho. É do nosso conhecimento que a musicalidade ganhou notoriedade e desenvolveu-se tendo como palco as galpões de estância, aos arredores do fogo de chão, de rodas de mate onde os homens riograndenses ( gaúchos) reuniam-se após as lidas de campo, os serviços do dia-a-dia e nos intervalos de batalhas. Tendo em vista este cenário onde a música de desenvolveu, encontramos em seus versos, uma linguagem própria do gaúcho, com descrições que nos possibilitem imaginar as paisagens riogrnadenses, deixando claro o amor à terra, tudo isso ao som de singelas melodias. Com o passar dos anos, a nossa músicas teve um grande progresso, melódico e estrutural. Os profissionais da área evoluíram nos seus estudos musicais, as composições ganharam feições evolutivas, tanto instrumentistas quanto vocalistas, em grande número, hoje aperfeiçoaram seus talentos com vistas a acompanhar as exigências do consumidor fazendo com que, pouco a pouco, a música tradicionalista e nativista esteja ganhando espaço na mídia, embora esta ainda seja a nosso juízo, nos principais canais e espaços, preconceituosa e protecionista de uma casta. A mesma música gaúcha, mercê da sua crescente qualificação, cada vez mais se populariza e difunde por grande parte do país, sendo a primeira atração para o tradicionalismo e a principal vitrine da cultura gaúcha. Ressalte-se, oportunamente, de que a evolução da música, também, se deve ao capricho e ao grande investimento tecnológico que muitos conjuntos fizeram, dotando as suas apresentações de grandes aparatos de som, luz e imagem. Com a desculpa de agradar o maior número de espectadores e visando meramente objetivos comerciais. Alguns músicos e conjuntos musicais, estão gravando e trabalhando com músicas de baixíssimo nível cultural e mesclando ritmos tradicionais com a proposta de não ser daqui nem dali. Operam, com isso, uma preocupante descaracterização de conquistas rítmicas já implantadas à sociedade dentro do nosso cancioneiro tradicionalista. O problema se agrava uma vez que a mídia, em regra em mão de profissionais e produtores que, embora com boa vontade, não têm o discernimento de selecionar seus programas, aqueles artistas efetivamente comprometidos com os ditames de austeridade e com trabalhos de bom nível cultural, convidam e projetam a todas as tendências, levando ao telespectador e ouvinte, muitas vezes, a imagem errada de que tudo está certo, tudo esta dentro do gauchismo e que apenas uns são mais modernos do que os outros. Ora, o modernismo de que precisamos deve ser manifestado de várias formas, como já vimos, menos fazendo fusão e consequentemente confusão nos ritmos sedimentados ou ainda abordando temas oportunistas, efêmeros, banais e inconseqüentes. Esse modernismo não serve ao nosso Movimento Tradicionalista. É o nosso ponto de vista”. De imediato a esta fundamentação os autores apresentaram uma justificativa: “1 – Considerando o artigo XX da Carta de Princípios: ( zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais). 2 – Considerando que a música gaúcha é a principal vitrine da cultura gaúcha, não podemos desenvolvê-la com um modismo inconseqüente , ou em busca de objetivos individuais sem nos preocuparmos com a influência que ela exerce nesta cultura. 3 – Considerando que muitos dos profissionais da música gaúcha, exercem a atividade sem um mínimo de preocupação com a cultura gaúcha. 4 – Considerando que existe a necessidade de que os dirigentes, em todos os níveis do MTG dediquem maios atenção na questão autenticidade da música gaúcha. 5 – Considerando o tema proposto e aprovado no 42º Congresso Tradicionalista: “Com Consciência Tradicionalista rumo ao Terceiro Milênio”. 6 – Considerando que alguns conjuntos musicais e artistas que atuam individualmente não se mantém fiéis a estrutura dos ritmos e temas pertencente ao nosso gauchismo, misturando aos ritmos já conhecidos deturpam a autenticidade e confundem a população, mormente as gerações mais novas, que os vêem e os ouvem, com certa projeção na mídia, parecendo serem porta-voz da mais representativa cultura gauchesca. 7 – Considerando que alguns artistas e conjuntos musicais em suas apresentações, não estão usando a pilcha gaúcha de forma completa. Seja o uso pela metade, seja a sua descaracterização. 8 – Considerando que os músicos, com seu trabalho, são os maiores influenciadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho, seja no palco, nos cartazes, no rádio, na televisão, no jornal ou no disco. Sugerimos: 1º – O MTG recomende que os CTGs alinhados a ele, contratem somente conjuntos e artistas com efetivo comprometimento com os parâmetros do Movimento, ou seja, que toquem ritmos e temas autênticos. E ainda, que si pilchem com rigor e tenham postura de tradicionalistas, fora e encima do palco. OBS: ressalta-se aqui o fato de que muitos integrantes de conjuntos mais dançam no palco do que tocam. 2º – Esta seria a forma de prestigiar a quem efetivamente luta e trabalha pela expansão e seriedade do Movimento, como também, alerta ainda em tempo, aqueles que deturpam, muitos aliás, sem a consciência do que fazem e para que, se fizerem, mudando a sua conduta e postura, passam a fazer parte de nossas fileiras. 3 – Dado a gravidade do caso, sugerimos e esperamos atitude firme do MTG, já neste Congresso. Que saiam daqui já orientados os senhores patrões de CTGs, naquilo que deverão fazer sobre o assunto. Finalmente preocupados com os rumos que partem da música gaúcha está tomando propomos com muita humildade mas com altivez, de que para 1999, o MTG tenha como objetivo principal a ser seguido a seguinte lema: “CANTE NOSSOS TEMAS E TOQUE NO AUTÊNTICO COMPASSO GAÚCHO”. Esta proposição está assinada pelos tradicionalistas: Flávio Marcolim, Marcos Rogério de Souza , Ricardo Abel Guarnieri e Dautro Soares. Foi aprovada no Congresso Tradicionalista de Passo Fundo e, está em vigor em todas as instituições filiadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul. Com tudo isso, ainda existem alguns “patrões”e outros “entendidos”em tradicionalismo que por desconhecimento ou para parecer simpático ou ainda ( se fazer porca vesga para comer milho em dois cochos), não tomam nenhuma providência sobre o que eles ou seus representantes aprovaram.

Minguante de dezembro de 2008

CALTARS – “TO”.

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